Olá!
“Ordem e Função: A Dança dos Lugares que Liberta.”
Seu sistema , quer te ver leve. Só não sabe como dizer isso – “é que sistemas familiares incluem gerações atrás da nossa” – que existem dores, feridas que continuam abertas e precisam ser reconhecidas e honradas.
Esta compreensão nos convida a reconhecer que aqui hierarquia não é prisão, nem relação de poder moral, mas um reconhecimento amoroso que nos possibilita a verdadeira liberdade – poder ser a agir de forma diferente.
O que acontece quando expandimos esta compreensão para além de nós mesmos e dos valores de nosso tempo?
Quando olhamos para nossos relacionamentos íntimos ou para o ambiente profissional através desta lente, incluindo o passado como foi?
A segunda Ordem do Amor de Bert Hellinger – a Ordem ou Função – revela-se então não apenas como um princípio pessoal, mas como uma lei sistêmica que opera em todas as escalas da experiência humana como se fosse uma escada onde um degrau só pode surgir surge após o outro.
Isso vai muito além de regras morais.
A ordem, na visão sistêmica, não é hierarquia rígida ou controle, mas o reconhecimento da função única de cada elemento no todo.
É o princípio que permite que a diversidade se expresse em harmonia, não em caos.
Na física, encontramos este princípio no conceito de “auto-organização” – a capacidade de sistemas complexos encontrarem espontaneamente padrões ordenados a partir de interações locais.
O físico Ilya Prigogine, ganhador do Prêmio Nobel, demonstrou como sistemas longe do equilíbrio podem gerar “estruturas dissipativas” – padrões ordenados que emergem naturalmente quando cada elemento encontra seu lugar no fluxo energético.
O Ponto de Conexão.
Nossa analogia reside na ideia de que um sistema, seja ele físico (como em Prigogine) ou social/familiar (como em Hellinger), só pode encontrar uma nova ordem ou equilíbrio quando existe um fluxo de energia ou informação.
No trabalho de Prigogine: O sistema físico está “longe do equilíbrio termodinâmico”.
Para se auto-organizar em uma estrutura dissipativa (um padrão de ordem), ele precisa de um fluxo constante de energia e matéria do seu ambiente.
Quando o sistema está “caótico”, ele não está em desordem total, mas sim em um estado instável.
Flutuações dentro dele podem ser amplificadas, levando a uma reorganização repentina em um novo padrão ordenado e mais complexo.
No trabalho de Hellinger: O sistema familiar está “longe do equilíbrio sistêmico” quando há exclusão, julgamento ou desequilíbrio nas relações.
Essa desordem não é aleatória; ela se manifesta como uma dor que busca ser reconhecida.
Para que o sistema se reorganize em uma nova ordem (curando a dor), é preciso que a informação sobre por exemplo o membro excluído (a “energia do sistema”) seja vista, aceita e integrada.
Neste caso o descendente que “carrega” a dor do avô, por exemplo, atua como uma flutuação que força o sistema a lidar com a exclusão, levando a uma possível reorganização e cura.
Na biologia, observamos como células-tronco indiferenciadas assumem funções específicas conforme o organismo se desenvolve.
Não há uma “célula-chefe” ditando ordens; há um campo onde cada célula encontra sua função em relação ao todo.
Quando Bert Hellinger identificou a Ordem como a segunda lei do Amor, ele estava reconhecendo um princípio que transcende o contexto familiar e reflete uma lei fundamental da vida: sistemas saudáveis honram a função única de cada elemento.
Aplicação Prática na esfera pessoal!
Em nossos sistemas familiares, a ordem cronológica é uma expressão fundamental deste princípio.
Quando um filho tenta assumir responsabilidades que pertencem aos pais, ou quando pais tratam filhos como parceiros emocionais, uma inversão de ordem ocorre.
Essa lei atua no tempo cronológico.
Mesmo que um pai tenha morrido cedo ou seja desconhecido esse filho é filho, e o lugar e funções do pai enquanto fluxo de vitalidade são outras, vieram antes cronologicamente.
Esta inversão, embora muitas vezes motivada por amor, cria tensões e dores pois este filho neste caso estará indisponível para a própria vida, com pouquíssima vitalidade.
No caso de ter irmãos, mesmo exausto, invariavelmente irá ouvir “você não manda em mim, não é meu pai.”
Exercício de Observação:
Reflita sobre seu lugar em sua família de origem.
Houve momentos em que você assumiu responsabilidades que não correspondiam à sua função?
Como seria reconhecer e honrar seu lugar próprio, nem mais nem menos?
O que mudaria na atmosfera familiar e para você individualmente?
Aplicação Prática na esfera de casais!
Nos relacionamentos íntimos, o princípio da ordem manifesta-se na clareza sobre funções e responsabilidades.
Não se trata de papéis rígidos baseados em gênero ou tradição, mas de um reconhecimento honesto das forças e contribuições únicas de cada parceiro.
Um ótimo exemplo para os dias de hoje são mulheres com mais recursos materiais ocupando este lugar de provedoras enquanto seus parceiros cuidam do dia a dia da família e dos filhos.
Atendo casais em conflito por não terem ajustado suas realidades com as crenças socioculturais de “como deveria ser”, como “ tem que ser”.
Isso funciona muito bem quando está alinhado com as melhores competências de cada um.
Acompanho conflitos recorrentes onde há competição quando poderia haver complementaridade.
A transformação começa quando reconhecem o que realmente desejam e podem fazer com excelência para crescimento de ambos – ter talentos diferentes e honrar estas diferenças não é submissão, é sabedoria.
Perguntas Reflexivas:
Em seu relacionamento, as funções de cada parceiro são reconhecidas e valorizadas?
Há clareza sobre quem assume quais responsabilidades?
Como seria uma conversa que honrasse as contribuições únicas de cada um, sem julgamento ou comparação?
Aplicação na esfera profissional!
Em ambiente de trabalho, o princípio da ordem manifesta-se na clareza sobre papéis e responsabilidades.
Onde funções se sobrepõem sem clareza, onde a estrutura formal não corresponde à realidade, ou por exemplo quando determinado lugar é “invisível” ou considerado como “bode expiatório (a causa de todos os problemas), frequentemente enfrentam-se conflitos e ineficiências.
Uma empresa com a qual trabalhei criou um departamento “fantasma”, com o intuito de incluir alguém, com tempo toda a organização passou a sofrer com decisões lentas e responsabilidades difusas.
Somente ao encontrar o “o ponto sombra no organograma” – e mapear quem realmente tomava e quais decisões, independentemente dos títulos formais – a organização encontrou novo fluxo e vitalidade.
Prática Organizacional:
Observe como sua organização lida com papéis e responsabilidades.
As funções formais correspondem às contribuições reais de cada pessoa?
Como seria criar uma estrutura que honrasse a função única de cada elemento no sistema?
Enfim, a paz não vem da rigidez, mas da harmonia viva.
O que emerge quando compreendemos realmente a Ordem como um princípio que transcende a falsa dicotomia entre “ordem” e “liberdade”?
Percebemos que a verdadeira liberdade não vem da ausência de ordem, mas do reconhecimento de nosso próprio lugar no todo sistêmico – da importância dele.
Quando cada elemento assume sua função autêntica, não por imposição externa mas por reconhecimento interno, uma liberdade paradoxal emerge: a liberdade de ser plenamente quem somos – uma relação harmoniosa.
Esta compreensão nos conecta naturalmente com a Primeira Ordem do Amor – o Pertencimento.
Pois é apenas quando todos têm seu lugar reconhecido que podem assumir suas funções autênticas.
E nos prepara para a Terceira Ordem – o Equilíbrio – pois é apenas quando cada elemento funciona em seu lugar próprio que o sistema pode encontrar o equilíbrio dinâmico onde a criatividade floresce.
Voltemos à orquestra.
O que torna possível aquela transformação milagrosa da cacofonia à sinfonia?
Não é apenas o talento individual dos músicos, nem apenas a partitura, nem apenas o maestro.
É o reconhecimento compartilhado de que cada instrumento tem seu lugar próprio na música – nem mais importante, nem menos necessário.
Quando honramos a ordem em todas as escalas de nossa experiência, algo profundo se transforma.
Aquela sensação de esforço constante, de nadar contra a corrente, dá lugar a uma experiência de fluidez – como se a vida nos carregasse em vez de nos arrastar.
E você, como tem honrado o princípio da Ordem nas diferentes esferas de sua vida?
Quais novas possibilidades se abrem quando expandimos este olhar do individual para o coletivo?
Referências Essenciais
Constelação Familiar
- Bert Hellinger
A Simetria Oculta do Amor. Cultrix, 2008.
Aprofunda ordem, lugar e função.
Física / Sistemas Complexos
- Ilya Prigogine
O Fim das Certezas. Editora Unesp, 1996.
Fundamento científico da auto-organização e emergência da ordem.
Biologia Sistêmica
- Humberto Maturana
Emoções e Linguagem na Educação e na Política. UFMG, 1998.
Sustenta função, coordenação e legitimidade relacional.
Um abraço,
Rosana Jotta
Prof.de Inteligência Sistêmica com mais de 20 anos de experiência.
Consteladora Familiar Sistêmica (Formação com Bert Hellinger, Mimansa e Dr César Santiago) e Terapeuta Comunitária Integrativa pela ABRATECOM.
Instituto Rosa da Terra Inteligência Sistêmica Prática
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Muito obrigada por comentar.