O Lugar de Fala da Inteligência Sistêmica

A Inteligência Sistêmica não nasce da oposição entre ciência e experiência. Nasce da convicção de que a vida sempre antecede as teorias que procuram descrevê-la.

Olá!

Os sistemas vivos já se organizavam antes da biologia enquanto ciência. As relações humanas já transmitiam padrões antes da psicologia. As famílias já produziam pertencimento, exclusão, cooperação e sofrimento antes que qualquer disciplina lhes desse um nome.

Nomear não cria a realidade. Nomear amplia nossa capacidade de percebê-la. É nesse ponto que situo meu trabalho.

Não proponho substituir a investigação científica pela observação fenomenológica, nem reduzir a experiência humana ao que já foi suficientemente demonstrado pela ciência. Proponho um diálogo.

A experiência clínica, educativa e comunitária revela padrões. A ciência investiga seus mecanismos. A filosofia pergunta pelo seu significado. A Inteligência Sistêmica procura compreender como essas diferentes formas de conhecer cooperaram entre si.

Não considero esses campos concorrentes. São lentes diferentes voltadas para a mesma vida. Por isso meu compromisso não é defender uma teoria específica.

É permanecer fiel ao fenômeno.

Sempre que diferentes áreas do conhecimento ajudam a compreender melhor um mesmo padrão da vida, elas são bem-vindas. Sempre que uma explicação reduz a complexidade da experiência humana a uma única causa, ela se torna insuficiente. A Inteligência Sistêmica nasce exatamente dessa recusa ao reducionismo.

Ela parte da compreensão de que somos organismos biológicos, seres históricos, relacionais, culturais e conscientes ao mesmo tempo. Nossa organização emerge continuamente da interação entre todas essas dimensões.

Controlar a vida é impossível. Buscar aprender a reconhecer os princípios pelos quais ela já se organiza, e cooperar com eles cooperar é o caminho dessa Inteligência Sistêmica.

A Inteligência Sistêmica não reivindica a última palavra sobre a vida. Reivindica apenas o direito, e a responsabilidade, de permanecer em diálogo com ela.

A Inteligência Sistêmica é uma Epistemologia da Cooperação

Do mesmo modo que sistemas vivos prosperam pela cooperação e não pela eliminação das diferenças, essa epistemologia também prospera quando diferentes formas de conhecimento cooperam sem perder sua identidade.

Esse é, talvez, o fundamento mais profundo do Instituto Rosa da Terra. E reivindicar o direito e a responsabilidade de permanecer em diálogo com a vida é uma formulação madura da mesma postura de pergunta viva versus pergunta certa: diálogo pressupõe incerteza contínua, nunca a última palavra fechada.

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Um abraço,

Rosana Jotta

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