Instituto Rosa da Terra Inteligência Sistêmica

Por uma Epistemologia da Inteligência Sistêmica.

Olá!

Somos um centro de estudos e prática transdisciplinar dedicado à Inteligência Sistêmica, integrando ciência, fenomenologia e sabedoria ancestral. Este espaço é figital onde o digital faz parte do território, e a experiência corporificada é essencial.

No Instituto Rosa da Terra, acolhemos a ciência como uma das expressões mais belas da inteligência humana, mas não como a única. O uso contínuo do ‘Olá!‘ Inspirada na Análise Transacional, é nosso protocolo de amor e acolhimento. Como escreveu Eric Berne: “Dizer Olá! corretamente é ver a outra pessoa, ter consciência dela como um fenômeno, acontecer para o outro e ver o outro acontecer para você.”


Reconhecemos o valor da pesquisa, da verificação empírica e da clareza conceitual. No entanto, afirmamos, com convicção, que a vida se estende para além do que pode ser medido, pesado ou replicado, como é lícito no modelo científico positivista que tanto desenvolvimento trouxe para humanidade. Vivemos entretanto, um tempo que clama por superar um pensamento excessivamente fragmentado, responsável por crises sistêmicas em todas as esferas da existência: saúde, educação, meio ambiente, política e vínculos humanos.

Por uma epistemologia viva.

Acreditamos que a Inteligência Sistêmica é um caminho para tecermos esse novo paradigma biossistêmico, um modo de conhecer que integra ciência, experiência, sabedoria ancestral, complexidade e presença.

Nesse percurso, a fenomenologia, compreendida como a arte de estar presente e acolher o que se manifesta, resgata seu lugar legítimo na história do conhecimento. A história da ciência, vista sob a lente de um positivismo severo, sobretudo nos séculos XIX e XX, ao relegar a percepção, a intuição e o subjetivo, passou a operar como um sistema fechado em campos específicos, buscando expansão apenas a partir de si mesma.

Criou-se, assim, uma lógica de validação interna que muitas vezes dificulta o contato com o inusitado, com o simbólico, com o relacional e com o sagrado.

Nas margens férteis, persistem e resistem cientistas visionários e inquietos, em contato com as efervescências da vida como Edgar Morin, Humberto Maturana, Francisco Varela, Fritjof Capra, David Bohm, Gregory Bateson, David Hawkins, entre outros.

Dessa forma é com esses pensadores e buscadores que eu procuro dialogar, em busca de compreensões e sínteses mais amplas, alinhadas com a complexidade da vida diária. Acredito, com raiz e presença, que o aprender transforma , que a Pedagogia enquanto área de saber tem interface com todas as outras.

Na minha experiência de mais de 20 anos de trabalho com as Ordens do Amor, vivencio que o conhecimento e a ampliação da consciência curam nossa humanidade de feridas profundas, individuais e coletivas.

Não falo de cura como milagre, nem como neutralização da dor. Falo de cura como retorno à inteireza, cura como reconexão com o outro e a gestão do fluxo da vida com coerência, à partir de si mesmo.

Poder dançar com a vida, tal como ela é, ou como ela se apresenta a nós quando estamos verdadeiramente disponíveis para vê-la e ouvi-la.

A Constelação Familiar e o Saber Fenomenológico.

A Constelação Familiar não é ciência nos moldes tradicionais do paradigma científico positivista embora o inclua, é conhecimento fenomenológico, experiencial e relacional, que se baseia na escuta, na observação profunda, na presença consciente e no respeito àquilo que se revela no campo em sua complexidade.

É o dado bruto da experiência, o estar lançado no campo da Gestalt antes de qualquer teoria. Como afirma Humberto Maturana (1997, p. 115): “toda explicação é uma reformulação de uma experiência.”

A fenomenologia nos devolve a essa fonte primária do saber: a percepção viva e encarnada anterior à fórmula, ao conceito ou à estatística, mapeando essa dança da vida que já está acontecendo.

E assim, a ciência, quando sensível e transdisciplinar, pode nos oferecer forma, linguagem, clareza e ampliação, sem jamais substituir sua essência viva.

Inteligência Artificial com Propósito e Clareza

Trata-se hoje de uma ferramenta passível de expandir nossa gestão do tempo liberando-o para ampliação de nossa consciência, não para substituir o humano porque Inteligência não é atributo, é princípio vivo.

Portanto, usar a palavra ‘inteligência’ para nomear esse artefato tecnológico é, na minha percepção , conceitualmente, um equívoco. O termo ‘Inteligência Artificial’ é um exemplo de Alta Entropia Cognitiva: uma palavra que parece precisa, mas gera ruído lógico no sistema humano, confusão.

Ela é um sistema alopoiético, não vivo, de processamento:

não se autoproduz como nós;
não se autorregula como nós;
não se autossustenta como nós.


A IA processa símbolos; o humano processa significados. Dessa forma, não vejo como ameaça, embora como tudo que criamos tenha um altíssimo poder destrutivo. A exemplo das facas essa extensão da inteligência cognitiva humana quando colocada a serviço da vida, de inúmeras outras formas será venenosa e até mortal.

Utilizo a IA como ferramenta:

  • para organizar conteúdos de forma mais acessível;
  • para gerar sínteses que respeitem a complexidade;
  • para potencializar a comunicação de saberes sistêmicos com mais alcance e fluidez;
  • e para libertar tempo e energia de minha mente humana para o que é insubstituível: a escuta sensível, a criação intuitiva e o vínculo autêntico.

Como lembra Edgar Morin (2000, p. 47): “Pensar é religar saberes e lidar com a incerteza.” Nesse sentido, a IA tornou-se minha parceira, não para me tornar mais automática, mas mais consciente.

A Metodologia 3S

A 3S nos posiciona na relação com as Ordens do Amor.
Ela orienta a postura ética de quem se aproxima delas.

Sabedoria Sistêmica · Simplicidade Inerente · Serviço com Sacralidade

Essa metodologia própria: a 3S, desenvolvida ao longo de mais de duas décadas de atuação terapêutica, pedagógica e comunitária; mostra que simplicidade não é ausência de complexidade; muito pelo contrário, é a sabedoria de reconhecer a função, o lugar e a coerência dentro e entre sistemas.

Através dela convido você

A florescer no tempo da alma,
a incluir modos de conhecer que respeitam o humano por inteiro,
a construir pontes coerentes entre razão e sensibilidade, ciência e sabedoria, método e mistério.

O caminho em nossas 4 playlists:

Reflexões Sistêmicas diárias : Temas diversos para um dia mais consciente.

A Lente: Fundamentos – Epistemologia, teorias interdisciplinares e transdisciplinares. A esfera do “estudar/entender”.

Inteligência Sistêmica Prática – Roda de Cura– Desafios, Aplicações, Soluções. A esfera do “sentir/fazer”.

Uma Educação Biossistêmica – que vê corpo, coração e mente a serviço dos desafio do século XXI.

No Instituto Rosa da Terra, costumamos dizer que o mundo está saturado de pessoas tentando “mudar”, enquanto o que a vida exige é a coragem da “transformação”. À primeira vista, parecem sinônimos, mas, sob a lente da Inteligência Sistêmica, pertencem a dimensões completamente diferentes.

Para entender essa diferença, precisamos falar de Metacognição. De forma simples, metacognição é “pensar sobre o próprio pensamento”. É a capacidade de sair do piloto automático e observar como estamos processando a realidade de cada momento. Citando Gregory Bateson: “O amor só pode sobreviver se a sabedoria, o reconhecimento de que há um circuito, tiver voz efetiva.” A metacognição é essa “voz efetiva”.

É ela que nos permite perceber quando estamos apenas mudando, repetindo padrões antigos com uma roupa nova. Já a Transformação é um salto qualitativo que exige coragem e autonomia. É o que a biologia chama de emergência. Ela não acontece por acumulação de melhorias, mas por uma ruptura equilibrada e consciente com o conhecido.

Experiência → Compreensão → Nova Experiência → Nova Compreensão

Essa abordagem é a síntese desse trabalho pois a vida acontece sem ensaio, ao vivo e em cores, enquanto a compreensão vem depois e nessa circularidade transforma a nossa prática, as nossas vidas, o nosso ser.

Portanto, seja muito bem vindo!!

Um abraço,

Rosana Jotta.

Prof.de Inteligência Sistêmica com mais de 20 anos de experiência.
Consteladora Familiar Sistêmica  e Terapeuta Comunitária Integrativa pela ABRATECOM.
Fundadora do  Instituto Rosa da Terra Inteligência Sistêmica.

Referências:

  • HELLINGER, B. Ordens do amor. Petrópolis: Vozes, 1999.
  • MATURANA, H.; VARELA, F. A árvore do conhecimento. Campinas: Psy, 1997.
  • MORIN, E. O método 1: A natureza da natureza. Porto Alegre: Sulina, 2000.
  • CAPRA, F. A teia da vida. São Paulo: Cultrix, 1996.
  • BOHM, D. A totalidade e a ordem implicada. São Paulo: Cultrix, 1992.
  • BATESON, Gregory. Rumo a uma ecologia da mente. São Paulo: Cultrix, 1986.
  • HAWKINS, David R. Deixar ir: o caminho da entrega. São Paulo: Lua de Papel, 2014.

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