“Este texto integra o livro Variações sobre o mesmo tema, onde é apresentado como parte de uma jornada contínua.”
Olá!
Quando falamos em complexidade, muitas pessoas imaginam algo complicado, difícil ou confuso. Mas complexidade não significa exatamente isso. Lidamos com ela o tempo todo. Sabe aquela hora em que nos perguntamos: “Por que acontece tudo ao mesmo tempo?” ou “O que resolvo primeiro?” ou “Estou perdido, não sei por onde começar?”. Nestas horas estamos conscientes dela, do fato que todas as coisas estão conectadas e umas atuam sobre as outras o tempo todo.
O que significa complexidade no cotidiano?
A notícia boa é que seres vivos são experts em lidar com isso, damos nossos pulos, e de algum modo tudo se ajusta. Complexidade significa, antes de tudo, interdependência e capacidade de síntese, de ainda que de forma instintiva encontrar o ponto onde resolvendo primeiro todos os outros são afetados de forma positiva.
Sim, a vida cotidiana é complexa porque aquilo que acontece raramente depende de uma única causa. Nossas experiências surgem da interação contínua entre múltiplos fatores: relações, emoções, história pessoal e coletiva, cultura, condições sociais e decisões presentes ou tão antigas que até já esquecemos.
Tudo isso acontece ao mesmo tempo e muitas vezes parece que explode na mesma época.
Por que a vida parece tão complexa?
Nosso cotidiano é formado por sistemas que se influenciam mutuamente. Cada um de nós, mesmo dentro de uma mesma família apoia e defende aspectos diferentes de um mesmo problema dentro desse mesmo sistema familiar. Olha cada questão a seu próprio modo e atua sobre ela. Fazemos isso todos ao mesmo tempo, percebe?
Aquilo que acontece no trabalho afeta o clima dentro de casa, o que acontece na família influencia nossa forma de agir nas organizações e transformações culturais mudam a maneira como nos relacionamos inclusive com a gente mesmo.
É por isso que compreender a vida cotidiana com mais clareza e assertividade exige olhar mais amplo, não olhar apenas para os eventos ou pessoas de forma isolada, mas para os padrões que conectam essas pessoas ou partes dos problemas. I
Como lidar com a complexidade no dia a dia?
Desenvolver uma percepção da complexidade não significa complicar a vida. Significa, ao contrário, ampliar o olhar e quando percebemos que sistemas atuam em nós, mas nós também atuamos sobre eles mudanças significativas se tornam possíveis.
A primeira delas será parar de desperdiçar recursos na pressa de buscar culpados e inocentes. Essa é uma atitude que coloca a todos em um estado de alerta de sobrevivência, dispara em nós o modelo ataque e defesa.
Essa mudança de percepção é o que chamo de Inteligência Sistêmica e ela funciona pois nos permite atuar em um modelo de busca de soluções, tendo conhecimento de princípios estruturais que estão na base das necessidades humanas: a necessidade de fazer parte, pertencer; a necessidade de sentir seu lugar reconhecido como importante, útil a todos de alguma forma e assim poder dar algo valoroso em troca do que recebe. Isso é um fato pois ninguém vive sozinho, somos interdependentes, precisamos uns dos outros e isso de modo algum é defeito ou fraqueza.
É por isso que dizemos que as Ordens do Amor são para que o amor dê certo. Aqui estamos falando desse amor pela vida pacífica e prospera que desejamos.
Uma pergunta para refletir
Se a vida cotidiana é complexa porque tudo está conectado, talvez a pergunta mais interessante não seja apenas:
“o que aconteceu?” “Quem fez isso ou aquilo?”
Mas também:
“que relações estão participando desse acontecimento?” “Qual é o ponto onde tudo isso está preso?”
Esse tipo de perguntas, pode abrir uma forma completamente nova de olhar para a vida e seus desafios contínuos.
Um abraço,
Rosana Jotta
Se você reconheceu algum desses padrões na sua própria vida, a Mentoria em Inteligência Sistêmica Prática pode ser um próximo passo. Converse comigo pelo WhatsApp.