Sistemicamente isso tem um altíssimo custo para a educação e para qualquer processo de aprendizagem real.
Olá!
Você tem consciência do quanto você faz parte da natureza? Exigimos tanto que tudo seja comprovado cientificamente, mas já pensou sobre o olhar da ciência positivista sobre o ser humano, e nossa relação com a natureza?
Eu sim!
Há uma frase de Edgar Morin que não me sai da cabeça desde que a li.
Ele diz, no segundo capítulo de Introdução ao Pensamento Complexo, que a ciência do homem não possui um princípio que enraíze o fenômeno humano no universo natural.
Parei. Reli. E senti o que sinto sempre que algo óbvio demais é dito em voz alta pela primeira vez.
É claro que somos natureza, óbvio. Somos feitos do mesmo processo que fez a célula, o neurônio, o ecossistema, o vínculo entre mãe e filho. Não há um momento em que a matéria parou e o humano começou em outro plano.
Não há uma fronteira entre o biológico e o cultural, entre o corpo e o pensamento, entre o que sentimos e o que sabemos, o que há são diferenças.
E ainda assim a ciência moderna construiu seus métodos exatamente sobre essa separação. Separou o sujeito do objeto. A natureza da cultura. O corpo da mente. O indivíduo do campo de relações em que vive.
Cada separação criou uma disciplina. Cada disciplina criou um território baseado no método da ciência positivista.
E cada território passou a defender seu recorte como se as fronteiras que ele mesmo criou fossem as fronteiras na realidade da vida diária.
O resultado, nas palavras de Morin é uma inteligência cega. Produzimos conhecimentos imensos sobre partes, e perdemos a capacidade de ver o ser vivo inteiro no seu campo real de vida que é o dia a dia.
O que isso tem a ver com educação
Tudo.
Somos seres vivos que se transformam ao entrar em contato com o que aprendem, e que da mesma forma transformam o que aprendem.
Quando a educação esquece que o aprendiz é natureza, ela passa a tratar o aprendizado como transferência de informação.
O conhecimento vai de quem sabe para quem não sabe. O corpo fica sentado, quieto, fora do processo. A emoção é vista como ruído e desconsiderada. O vínculo entre quem ensina e quem aprende é frágil.
Nestes contextos ainda nos surpreendemos quando o aluno não aprende. Quando o adulto sabe a teoria mas não consegue aplicá-la. Quando o líder entende o conceito mas repete o padrão que queria mudar.
É que o processo foi desenhado para uma parte do ser humano e ignorou todas as outras.
Humberto Maturana foi mais preciso do que muito pedagogo quando disse que conhecer não é representar o mundo.
É o mundo sendo trazido à existência pelo ser vivo na relação com ele. Conhecer é um ato de vida.
Uma dança. A natureza em movimento. Há algo que o corpo nunca esqueceu, mesmo quando a ciência ignorou.
Ele sabe, percebe quando algo é verdadeiro antes que a mente consiga formular por quê. Sente quando uma aprendizagem tocou algo real, porque algo muda na postura, na respiração, no olhar.
Isso não é misticismo, e a neurociência confirma há décadas: António Damásio mostrou que as emoções, as nossas percepções não atrapalham o pensamento racional, elas fazem parte desse processo racional.
O corpo é o primeiro lugar onde o conhecimento pousa. Ou não pousa. Quando um processo formativo ignora isso, produz muita informação e pouca transformação.
O aprendiz sai com o caderno cheio e o padrão de vida intacto.
Enraizar o humano na natureza muda tudo
Leia mais: A Ciência Esqueceu Que Somos NaturezaConheça nossas trilhas de aprendizagens: nstitutorosadaterra.com.br/category/tsistemicas/ : A Ciência Esqueceu Que Somos NaturezaQuando compreendemos que somos natureza, que nossa cognição não é uma capacidade tão especial a ponto de nos separar do resto da vida, mas sim, é um modo de existir diferente, que nos permite a consciência de estar vivo, a possibilidade da criação intencional.
Algo fundamental muda na forma de conceber a aprendizagem quando isso é claramente percebido.
É o ser vivo se reconfigurando em contato com o novo, integrando o que chegou à sua estrutura, transformando-se e transformando o que recebeu.
É desenvolvimento real. A pessoa se tornando mais capaz de habitar sua vida com mais consciência, presença e liberdade.
Isso é o que a Biossistêmica propõe. Um enraizamento do humano no que ele sempre foi.
Natureza que aprendeu a se perguntar sobre si mesma, a criar.
Se algo aqui ressoou em você, talvez valha conhecer o que fazemos na Formação em Inteligência Sistêmica e na Mentoria do Instituto Rosa da Terra.
O trabalho começa exatamente aqui: no encontro entre o que você já sabe no corpo e ainda não consegue nomear.
Leia mais: A Ciência Esqueceu Que Somos Naturezahttps://institutorosadaterra.com.br/servicos-em-inteligencia-sistemica/: A Ciência Esqueceu Que Somos NaturezaUm abraço,
Rosana Jotta