Você conhece essa Tecnologia Ancestral de Regulação Sistêmica?

Roda de Cura | Inteligência Sistêmica Prática

“Quando você se curva profundamente diante de sua mãe e de seu pai, você recebe a força deles.
Quando se mantém ereto julgando-os, você se priva dessa força.”

Bert Hellinger

Olá!

Na prática da Inteligência Sistêmica, há gestos simples que reorganizam mais do que longas explicações.
A reverência é um deles.

Ela não é teatro. Não é submissão. Não é ritual vazio. É um gesto de respeito.

A reverência é uma tecnologia ancestral de regulação sistêmica, porque atua diretamente no corpo, e o corpo sabe reconhecer a ordem antes que a mente compreenda.

Quando o corpo reconhece a precedência, quem veio antes, o que sustenta, o que pertence, o sistema nervoso sai do estado defensivo. E aquilo que estava bloqueado pode voltar a fluir.

Um gesto que muda o campo

Minha primeira experiência consciente com a reverência aconteceu há muitos anos, quando eu liderava um grupo profundamente fragmentado e combativo.

Estava na porta da minha sala quando vi, do outro lado do salão, uma pessoa se levantar, e caminhar em minha direção com o ímpeto de uma flecha. Meu coração disparou, com aquela sensação clara de perigo iminente.

Instintivamente, fiz a reverência por dentro. O meu corpo cedeu. A minha respiração voltou a se normalizar. E minha surpresa foi vê-la chegar desarmada, quase sem saber o que dizer, como um balão esvaziado.


O campo havia mudado, de algum modo, ela sentiu meu respeito por ela.

Desde então, utilizo a reverência com frequência, inclusive de forma interna e silenciosa. Faço isso sempre que percebo minha mente girando de modo compulsivo em torno de alguém ou situação.

Reverência não é submissão

É reconhecimento da ordem, do lugar de cada um, do respeito que é importante entre todos nós.

Quando o gesto corporal reconhece a precedência, o corpo interpreta: não há ameaça. Ele faz isso em questão de segundos, antes mesmo que nossa mente consiga interpretar.

O sistema nervoso relaxa. A escuta se abre. Um novo aprendizado, uma nova percepção se torna possível.

É por isso que a reverência aparece, de formas diferentes, em praticamente todas as culturas ancestrais.

Um saber universal, um efeito biológico

Nos povos originários, reverenciar a terra é reconhecer que não fomos os primeiros a pisá-la.
Nas tradições africanas, reconhecer os mais velhos libera a transmissão do que vem depois.
No cristianismo contemplativo, o gesto aquieta a mente.
Na cultura indiana, curva-se o ego para que a sabedoria flua.
No Japão, a reverência cria o intervalo vazio, o espaço fértil onde algo novo pode emergir.
No Tibete e no sufismo, ela reorganiza o orgulho e devolve o ser humano ao fluxo maior da vida.

Em todas essas tradições, a função sistêmica é a mesma:
restaurar a ordem para que a vida siga.

Na Roda de Cura, a reverência é portal

Na Roda de Cura, não usamos a reverência como símbolo moral, mas como gesto regulador.

Ela ajuda a:

  • sair do julgamento,
  • reduzir a defesa,
  • reorganizar o campo interno,
  • restaurar o fluxo interrompido,
  • abrir espaço para o que ainda não foi visto.

Uma reverência silenciosa faz mais do que muitas palavras bem-intencionadas.

Um convite simples e poderoso

Se hoje algo ou alguém ocupa sua mente de forma repetitiva, experimente:

  • pare por um instante,
  • deixe o corpo ceder levemente,
  • faça uma reverência interna, sem frases, sem explicações.

Apenas reconheça algo do tipo: “você é você e eu sou eu… eu fico no meu lugar e honro o seu do jeito que é”. Essa frase costuma funcionar pois em geral trata-se do envolvimento entre pessoas,

Observe o efeito no seu corpo. A vida costuma responder quando a sua frase faz sentido, e é sincera dentro do contexto.

Lembre-se, respeitar não significa concordar, ou apoiar, trata-se apenas de dar a si mesmo, e ao outro o direito de existir do seu jeito, e arcar com as consequências.

Um abraço,

Rosana Jotta

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