A Segunda Ordem do Amor: Função/Hierarquia.

“Ordem e Função: A Dança dos Lugares que Liberta.”

Olá!

Seu sistema , quer te ver leve. Só não sabe como dizer isso, “é que sistemas familiares guardam memórias de gerações  atrás da nossa”, de dores e feridas que continuam abertas pois queremos esquecer.

Esta compreensão nos convida a reconhecer que aqui hierarquia não é prisão, nem relação de poder moral, mas um reconhecimento amoroso que nos possibilita a verdadeira liberdade, poder ser e agir de forma diferente.

O que acontece quando expandimos esta compreensão para além de nós mesmos e dos valores de nosso tempo? Quando olhamos para nossos relacionamentos íntimos ou para o ambiente profissional  através desta lente, incluindo o passado como foi?

A segunda Ordem do Amor observada por Bert Hellinger, a Ordem ou Função,  revela-se então não apenas como um princípio pessoal, mas como um princípio sistêmico que opera em todas as escalas da experiência humana.

Traduzida como Hierarquia tendemos a interpretá-la de forma moral, quando na verdade ela funciona como se fosse uma escada onde um degrau só pode surgir surge após o outro.

Isso vai muito além de regras morais

A ordem, na visão sistêmica, não é hierarquia rígida ou controle, mas o reconhecimento  da função única de cada elemento no todo. É o princípio que permite que a diversidade se expresse em harmonia e paz, uma sensação de completude.

Nossa analogia reside na ideia de que um sistema, seja ele físico (como em Prigogine) ou social/familiar (como em Hellinger), encontra esse equilíbrio quando existe um fluxo de energia ou informação circulando entre todas as suas partes constituintes.

No trabalho de Hellinger observamos que: O sistema familiar está “longe do equilíbrio sistêmico” quando há exclusão, julgamento e desequilíbrio nas relações. Essa desordem não é aleatória; ela se manifesta como informações contraditórias, emoções fora de contexto, dores que buscam reconhecimento.

Para que o sistema se reorganize em uma nova ordem (curando a dor), é preciso que a informação sobre por exemplo um membro excluído seja vista, aceita, integrada.

Por exemplo, caso um descendente que “carrega” a dor do avô, demonstre isso se sentindo severamente julgado e excluído sem motivos reais para essa intensidade, atua como uma flutuação que força o sistema familiar a lidar com a exclusão, e atualizar seus severos princípios.

Na biologia, observamos como células tronco indiferenciadas assumem funções  específicas conforme o organismo se desenvolve. Não há uma “célula-chefe” ditando  ordens; há um campo onde cada célula encontra sua função em relação ao todo.

Quando Bert Hellinger identificou a Ordem como a segunda lei do Amor, ele estava  reconhecendo um princípio que transcende o contexto familiar e reflete uma lei  fundamental da vida: sistemas saudáveis honram a função única de cada elemento. 

Aplicação Prática na esfera pessoal

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Em nossos sistemas familiares, a ordem cronológica é uma expressão fundamental  deste princípio. Quando um filho tenta assumir responsabilidades que pertencem aos pais, ou quando pais tratam filhos como parceiros emocionais, uma inversão dessa ordem ocorre. Alguém passa a sumir funções que não pertencem ao seu lugar de origem.

Esse princípio atua no tempo cronológico. Mesmo que um pai tenha morrido cedo ou seja desconhecido esse filho é filho, e o lugar e funções do pai enquanto fluxo de vital são outras, servem a que veio depois cronologicamente. Como um rio que leva a vida em frente com toda sua vitalidade.

No caso de ter irmãos, mesmo exausto, esse filho um dia poderá ouvir “você não manda em mim, não é meu pai.”

Exercício de Observação

Reflita sobre seu lugar em sua família de origem. Houve  momentos em que você assumiu responsabilidades que não correspondiam à sua  função? Como seria reconhecer e honrar seu lugar próprio, nem mais nem menos? O que isso mudaria na atmosfera familiar e para você individualmente?

Aplicação Prática na esfera de casais

Nos relacionamentos íntimos, o princípio da ordem manifesta-se na clareza sobre  funções e responsabilidades. Não se trata de papéis rígidos baseados em gênero ou  tradição, mas de um reconhecimento honesto das forças e contribuições únicas de cada  parceiro. 

Um ótimo exemplo para os dias de hoje são mulheres com mais recursos materiais ocupando este lugar de provedoras enquanto seus parceiros cuidam do dia a dia da família e dos filhos. Atendo casais em conflito por não terem ajustado suas realidades com as crenças socioculturais de “como deveria ser”, como “ tem que ser”.

Isso funciona muito bem quando está alinhado com as melhores competências de cada um. Acompanho conflitos recorrentes onde há competição quando poderia haver  complementaridade. A transformação começa quando reconhecem o que realmente desejam e podem fazer com excelência para crescimento de ambos – ter talentos diferentes e honrar estas diferenças não é submissão, é sabedoria. 

Perguntas Reflexivas

 Em seu relacionamento, as funções de cada parceiro são reconhecidas e valorizadas? Há clareza sobre quem assume quais responsabilidades?  Como seria uma conversa que honrasse as contribuições únicas de cada um, sem  julgamento ou comparação? 

Aplicação na esfera profissional

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Em ambiente de trabalho, o princípio da ordem também manifesta-se na clareza sobre papéis e  responsabilidades. Onde funções se sobrepõem sem clareza, onde a  estrutura formal não corresponde à realidade, ou por exemplo quando determinado lugar é “invisível” ou considerado como “bode expiatório (a causa de todos os problemas), frequentemente enfrentam-se conflitos e ineficiências. 

Uma empresa com a qual trabalhei criou um departamento “fantasma”, com o intuito de incluir alguém, com o tempo toda a organização passou a sofrer com decisões lentas e responsabilidades difusas. Somente ao encontrar o “o ponto sombra no organograma”, e mapear quem realmente tomava e quais decisões, independentemente dos títulos formais, a organização encontrou novo fluxo e vitalidade. 

Prática Organizacional

Observe como sua organização lida com papéis e  responsabilidades. As funções formais correspondem às contribuições reais de cada pessoa? Como seria criar uma estrutura  que honrasse a função única de cada elemento no sistema? 

Voltemos à orquestra

O que torna possível aquela transformação milagrosa da  cacofonia à sinfonia? Não é apenas o talento individual dos músicos, nem apenas a partitura, nem apenas o maestro. É o reconhecimento compartilhado de que cada  instrumento tem seu lugar próprio na música, nem mais importante, nem menos  necessário.  Quando honramos a ordem em todas as escalas de nossa experiência, algo profundo se  transforma.

Aquela sensação de esforço constante, de nadar contra a corrente, dá lugar a uma experiência de fluidez como se a vida nos carregasse em vez de nos arrastar. 

E você, como tem honrado o princípio da Ordem nas diferentes esferas de sua vida? Quais  novas possibilidades se abrem quando expandimos este olhar do individual para o  coletivo? 

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Referências Essenciais

Constelação Familiar

  • Bert Hellinger
    A Simetria Oculta do Amor. Cultrix, 2008.
    Aprofunda ordem, lugar e função.

Física / Sistemas Complexos

  • Ilya Prigogine
    O Fim das Certezas. Editora Unesp, 1996.
    Fundamento científico da auto-organização e emergência da ordem.

Biologia Sistêmica

  • Humberto Maturana
    Emoções e Linguagem na Educação e na Política. UFMG, 1998.
    Sustenta função, coordenação e legitimidade relacional.

Um abraço,

Rosana Jotta

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