Um olhar sobre clareza, e organização pessoal.
Olá!
Hoje na mentoria com uma aluna, conversamos sobre o último exercício da formação e o quanto ela tem tido insights, e experiências que a deixam empolgada e ao mesmo tempo assustada.
Conversando com a mãe dela sobre a avó que nuca conheceu, e de quem pouco se fala, percebeu o quanto sua vida tem reproduzido a dela.
Ficou tão surpresa em saber o quanto sua mãe cresceu em um ambiente desorganizado, quando em ouvir da dela o quanto essas conversas sobre o passado tem lhe feito bem.
Resumo da paçoca ela me perguntou: Rosana, minha dificuldade em organizar minha vida vem de lá?
Minha resposta: Sim, e não. Pode ser apenas sua forma de estar ligada a alguém muito importante de quem você até este momento não dispunha de informações concretas. Seu modo de dizer; “Vovó eu te amo.”
Desorganização não é falha de caráter
Vivemos numa cultura que trata a dificuldade de se organizar como problema de disciplina ou força de vontade. Como se bastasse querer mais, esforçar mais, planejar melhor.
Hoje a neurociência mostra algo diferente. E as constelações familiares também.
Organizar exige córtex pré-frontal, a região do cérebro responsável pelo planejamento, pela tomada de decisão, pela capacidade de avaliar o que é urgente e o que pode esperar.
E o córtex pré-frontal é exatamente o que o estresse crônico compromete, o que os emaranhamentos sistêmicos como o dessa aluna também compromete.
Quando o sistema nervoso está sobrecarregado: por pressão contínua, por falta de reconhecimento, por um histórico de exigências que nunca cessaram, por memórias sistêmicas de exclusão, o cérebro prioriza sobrevivência.
O eixo HPA, responsável pela resposta ao estresse, entra em estado de alerta prolongado. O cortisol sobe. E o acesso às funções executivas diminui.
A pessoa que não consegue se organizar, nesse estado, não é desorganizada por natureza. É um sistema nervoso em Burnout que perdeu temporariamente o acesso ao presente de forma proativa em vez de reativa.
Isso muda completamente o olhar sobre si mesmo.
Nem todo esgotamento tem nome. Há um cansaço que não aparece nos exames, que não é reconhecido como doença, que muitas vezes nem é percebido como cansaço, porque a pessoa ainda funciona, ainda entrega, ainda sorri.
É o burnout emocional silencioso. Aquele que se instala devagar, em anos de dar sem receber o suficiente, de cuidar sem ser cuidado, de sustentar sistemas inteiros sem que ninguém nomeie isso como trabalho real.
De esquecimento de si mesmo.
E há ainda uma camada mais profunda: o cansaço que não é só nosso. A epigenética demonstrou que estresse crônico intenso deixa marcas biológicas mensuráveis que podem ser transmitidas entre gerações.
Há famílias inteiras que chegam exaustas, não pelo que vivem hoje, mas pelo que o sistema carrega há muito tempo.
O esforço de sobreviver foi tão intenso em algum momento da linhagem que o corpo aprendeu que descansar é perigoso.
Esse cansaço não se resolve com mais produtividade. Não se resolve com mais organização de agenda. Ele pede algo diferente: que o sistema nervoso encontre segurança suficiente para pousar no presente.
Organização interna como retorno ao presente
Hoje, junto com ela, entendi de novo, o que a organização realmente é.
Não é técnica. Não é método. É o gesto de colocar para fora o que está dentro, e se ver de fora por um instante.
Quando escrevemos, quando nomeamos o que está acontecendo, fazemos algo preciso para o sistema nervoso: sinalizamos que é seguro pousar. Que o presente é habitável. Que não há ameaça imediata que exija alerta máximo.
De fato quando o que antes parecia confuso começa a ganhar forma. O que parecia urgente se reorganiza. A organização deixa de ser esforço, e passa a ser alinhamento.
Aqui Organização é Direção
Ninguém é capaz de organizar o passado, por mais que de forma inconsciente esteja tentando; incluir, ressignificar é muito diferente disso.
Quem pode se organizar precisa estar no presente e olhando pra frente.
A organização não resolve apenas tarefas. Ela reorganiza a forma como vivemos. Dá significado a pequenas ações que o hábito costuma tornar invisíveis.
Não é disciplina. Não é força de vontade. É o sistema nervoso encontrando segurança suficiente para funcionar no presente, e a pessoa encontrando, nesse presente, a direção de sua própria história.
Como costumo dizer, vivendo sua hora no palco da vida.
Se esse tema tocou algo em você, nos próximos dias vou disponibilizar gratuitamente um ebook sobre os princípios que organizam não só nossas tarefas, mas nossas relações e padrões mais profundos. Para receber assim que estiver no ar, é só se inscrever em rosanajotta.substack.com
Um abraço,
Rosana Jotta