Emmet Fox e Maturana Diante da Vida

Nesta Inteligência Sistêmica, os princípios que organizam a vida e a beleza de reconhecê-los surgem onde menos se espera.

Olá!

Você já se interessou por verdades absolutas? Daquelas que dizemos: “É assim e ponto final.” “Essa religião afirma e água parou!”

Eu sim, e em minha juventude ingressei em uma Graduação de História na USP onde minha área de interesse eram as religiões, e foi assim que encontrei “Os Dez Mandamentos” por Emmet Fox.

Devo confessar que este é um dos livros mais belos que já li.

Não pela elegância da escrita, embora ela esteja lá. Pela coragem de uma pergunta que Fox faz sem hesitar: e se os textos sagrados não fossem códigos morais nem relatos históricos, mas descrições precisas de como a realidade se organiza?

Fiquei com essa pergunta por muito tempo. E quanto mais a carregava, mais ela aparecia em lugares inesperados: na biologia de Maturana, nas Ordens do Amor de Hellinger, na sala onde acontecem as constelações.

Tenho uma imagem para isso. Religiões, filosofias e ciências são como fatias de uma pizza. Vistas de cima, andando em círculo ao redor delas, parecem completamente diferentes entre si. Mas quando nos aprofundamos na direção do eixo central, encontramos um núcleo comum.

Um mesmo espanto diante do fato de que a vida se organiza.

Foi exatamente esse espanto que encontrei quando coloquei lado a lado dois pensadores que,à primeira vista, não poderiam ser mais diferentes: Emmet Fox, místico e metafísico do início do século XX, e Humberto Maturana, biólogo e epistemólogo contemporâneo. Recortes diferentes. Lentes diferentes.

O mesmo fenômeno: a vida. A mesma necessidade: compreensão.

Leia mais: Emmet Fox e Maturana Diante da Vidahttps://institutorosadaterra.com.br/constelacoes-familiares-ciencia-complexidade/: Emmet Fox e Maturana Diante da Vida

Emmet Fox e a chave metafísica

Emmet Fox (1886-1951) foi uma das vozes mais influentes do movimento do Novo Pensamento. Sua abordagem consistia em desvendar o que chamava de chave de ouro da Bíblia: a ideia de que os textos sagrados não são relatos históricos nem códigos morais, mas descrições de leis que governam a consciência e a experiência humana.

Para Fox, os Dez Mandamentos não eram proibições impostas por uma divindade externa. Eram declarações de impossibilidade estrutural. Não “não farás”, mas “não podes”. Não porque alguém te impede, mas porque a própria estrutura da realidade não permite.

Fox foi uma das respostas mais completas que encontrei.

Décadas depois de Fox, Bert Hellinger observou que os campos de relações humanas, especialmente as famílias, são regidos por princípios que nomeou Ordens do Amor: pertencimento, ordem e equilíbrio.

A tentativa de violar esses princípios não resulta em punição. Resulta em consequências automáticas e observáveis, que se manifestam como padrões repetitivos ao longo do tempo.

Maturana, por outro lado, descreveu como os seres vivos se organizam e conhecem através do acoplamento estrutural: uma dança contínua entre o indivíduo e o meio, onde cada parte modifica e é modificada pela outra, sem que nenhuma seja a causa única do que acontece.

Três pensadores. Três linguagens completamente diferentes.

E o mesmo movimento no eixo: a realidade se organiza a partir de dentro, não como regra imposta de fora. Quem tenta contornar essa organização não é punido por ela. É atravessado pelas consequências do próprio desalinhamento.

Fox chama de lei metafísica. Maturana chama de acoplamento estrutural. Hellinger chama de Ordens do Amor. A tradição religiosa chama de sagrado.

São nomes diferentes para o mesmo espanto diante do fato de que a vida se organiza, que essa organização tem padrões reconhecíveis, e que compreender esses padrões muda a forma como o indivíduo habita o próprio campo de relações.

A beleza está em que nenhuma dessas linguagens é a dona da verdade. Cada uma ilumina um ângulo que as outras não alcançam.

E é exatamente isso que a Inteligência Sistêmica nos oferece: a capacidade de transitar entre essas lentes sem nos tornarmos prisioneiros de nenhuma delas.

O que muda quando compreendemos isso

Quando entendemos que os padrões que se repetem na nossa vida não são punições nem coincidências, mas consequências de desalinhamentos que ainda não foram percebidos, nossa postura muda.

Do julgamento para a observação. Da resistência para a aceitação. Do medo para a compreensão.

E é nesse espaço, onde o indivíduo consegue ver o padrão em que está inserido e perceber sua própria participação nele, que a transformação se torna possível.

Não porque o campo de relações mudou sozinho. Mas porque alguém dentro dele desenvolveu a capacidade de ver o que antes estava invisível.

Esse é o trabalho que fazemos na Mentoria em Inteligência Sistêmica e na Formação do Instituto Rosa da Terra. Não ensinamos uma doutrina.

Leia mais: Emmet Fox e Maturana Diante da Vidahttps://institutorosadaterra.com.br/mentoria-inteligencia-sistemica/: Emmet Fox e Maturana Diante da Vida

Desenvolvemos no indivíduo a capacidade de ler os padrões, qualquer que seja a linguagem que ele traga consigo, e de habitar o próprio campo de relações com mais consciência, mais presença e mais liberdade.

Um abraço,

Rosana Jotta

Deixe um comentário