Ajustes Para Uma Riqueza Sistêmica

Você já percebeu que de diversas formas colocar toda a nossa atenção no dinheiro não resolve nossa vida financeira? Sem recursos financeiros viver no mundo de hoje se torna angustiante, problemática e limitante de infinitas maneiras. Artigo 3

Olá!

Nos dois artigos anteriores conversamos sobre uma ideia que costuma surpreender, a escassez não começa, nem termina na conta bancária.

Ela começa na forma como um indivíduo aprende a organizar seus recursos internos e externos diante da vida.

Hoje gostaria de dar mais um passo. Talvez o maior deles. E meu objetivo que ampliarmos nossa visão de modo que o dinheiro, essencial em nossa cultura e forma de vida deixe de ser o verdadeiro problema.

Nosso recurso mais precioso não é o dinheiro

Vivemos numa sociedade que mede quase tudo em dinheiro. Quanto ganhamos. Em quanto custou cada uma das coisas que possuímos

Mas existe um recurso muito mais precioso que teimamos em esquecer, o tempo. Porque a vida não acontece dentro do tempo. A vida é um tempo.

Todo o resto existe apenas porque existe tempo suficiente para que aconteça. Dinheiro pode ser ganho, perdido e recuperado. Conhecimento pode ser adquirido. Empresas podem ser reconstruídas. Até parte da saúde pode ser restaurada.

A prosperidade acontece no tempo, e nenhum ser humano recupera o tempo que já viveu. Por isso, talvez prosperidade exterior nunca tenha sido apenas uma questão financeira.

Ela inclui a abundancia financeira e isso muda muita coisa.

Constelação Familiar e Sistema de Crenças

Ouvimos muito que o primeiro fator a ser regulado na direção da riqueza financeira são nossas crenças sobre dinheiro e riqueza. Isso é muito certeiro, essas crenças tornam-se parte de nossa identidade, e nosso cérebro independente de nossa vontade trabalha em cima delas.

É por isso que muitas vezes repetir afirmações e pensar positivo não se sustenta, porque camadas de memórias existem registradas em todo o nosso corpo, e o cérebro é mais ou menos um motorista diante da sua vida direcionando essas informações.

Pensar que crenças como: dinheiro é sujo, riqueza afeta o caráter, rico não entra no reino dos céus e tantas outras surgiram do nada é só ingenuidade.

São o registros em nossa carne, transmitidos geração após geração de sistemas sociais focados na construção de riqueza financeira acumulada para poucos, e adquirida através da pobreza de muitos.

Tornaram-se registros somáticos que nos tomam à partir do inconsciente. Então precisamos incluir essas memórias de forma consciente, e dessa forma ter a possibilidade de gerenciá-las a favor de nossos propósitos financeiros sejam eles quais forem.

Nesse ponto, a Constelação Familiar torna-se uma ferramenta especialmente valiosa porque permite tornar visíveis lealdades a esses padrões que permanecem nas esferas inconscientes, ampliando nossa possibilidade de escolha.

Todo sistema vivo administra recursos

A Biologia nos mostra algo extremamente simples, os recursos essenciais são aqueles que sustentam a vida biológica. Essa administração acontece de forma inconsciente, é a própria vida buscando o necessário para permanecer viva, e passar essa forma de vida biológica pra frente. Seres humanos precisam gerar outros seres humanos, e isso também é uma forma de memória.

Mas o que dizer da gestão do tempo?

O tempo talvez nem seja um recurso. É a condição na qual todos os recursos que criamos existem. Administramos energia, atenção, dinheiro e conhecimento dentro do tempo disponível. É justamente por ser irrecuperável que ele se torna nossa medida mais radical de prosperidade.

Meu professor costumava perguntar: “Isso te tem ou você tem isso?” Essa é outra pergunta fundamental. Como você vive sua vida? De forma consciente ou é totalmente dominado pelas exigências exteriores sobre isso ou aquilo?

Como humanidade, criamos camadas de novas necessidades e novos recursos entram nessa equação. Caminhamos em uma direção em que absolutamente tudo, incluindo aqueles itens necessários a nossa sobrevivência tendem a depender quase que exclusivamente do dinheiro.

Nos tornamos reféns dele em uma escala absurda. Quase uma escravidão guiada por uma máxima do tipo “O dinheiro é meu Senhor e nada me faltará!”

Então aqui nesta visão biossistêmica o essencial é a VIDA. Nossa organização interna participa da construção da cultura ao mesmo tempo em que é continuamente reorganizada por ela. Criamos o exterior enquanto cultura, história, ideologias, religiões, estilos de vida e todo tipo de coisas que a engenhosidade humana permite, incluindo o DINHEIRO.

Todas passam a fazer parte da mesma dinâmica. Nenhuma delas teria razão para existir isoladamente, sem a presença da VIDA.

Na verdade criamos e podemos ter o dinheiro e isso, essa consciência clara, nos traz de volta ao nosso lugar de força.

Recursos conversam entre si e são interdependentes

Existe uma ilusão muito comum, a de imaginar que podemos aumentar um recurso sem afetar os demais.

Na realidade, ao colocarmos toda a nossa atenção em algo, nos tornamos refém dela, e é por isso que uma pessoa pode aumentar muito seu patrimônio financeiro, mas perder a saúde, ou o respeito e o carinho das pessoas a sua volta.

Outra pode conquistar enorme reconhecimento profissional, enquanto perde convivência com os filhos, e estes são apenas alguns exemplos.

Dessa forma não estamos produzindo prosperidade. Estamos apenas nos relacionando como nossos recursos de maneira extremamente cara.

Escassez não é apenas pouca quantidade. Escassez aqui está na forma de organizar a relação com nossos recursos internos e externos.

Uma forma que deixa de lado em si mesmo e nos outros aquilo que é essencial, o respeito e amor pela vida.

Nós somos VIDA, parte da vida, e inteligência não é algo que se ensina ou se aprende de fora para dentro, é algo que desenvolvemos de dentro para fora.

Nada é mais inteligente do que a própria vida. A Inteligência Sistêmica não pretende substituí-la por métodos ou fórmulas. Seu propósito é aprender a reconhecer como a vida já organiza seus recursos, para que possamos cooperar com esse movimento em vez de lutar contra ele.

Prosperidade é capacidade de regeneração

Talvez possamos redefinir prosperidade. Não como acúmulo desenfreado, Mas como capacidade de criar recursos.

A capacidade de produzir. Sustentar. Regenerar e compartilhar recursos ao longo do tempo. Essa definição muda completamente nossa forma de construir riqueza. Porque deixamos de perguntar apenas : “Como e onde ganhar mais?”

Passamos a perguntar: Como o meu campo familiar ou profissional produz, conserva ou desperdiça recursos?

Essa é uma pergunta muito mais profunda e necessária. Ela diz respeito a memórias que precisamos atualizar se desejamos uma prosperidade que vá além das aparências, das comparações e do sofrimento que de fato nos afeta a todos.

Nenhum dinheiro do mundo nos protege das mazelas de nossa época. Doenças emocionais, vazios existenciais, stress, violências de toda ordem.

Autonomia Sistêmica

É aqui que a Inteligência Sistêmica oferece sua principal contribuição. Prometer controle absoluto sobre a vida é ilusão.

O importante é saber que de modo algum estamos condenados a repetir indefinidamente essas histórias que nos trouxeram até aqui. Sermos guiados de forma cega por essas memórias ancestrais.

Podemos nos erguer sobre tudo isso e tomar novas decisões a serem sustentadas mesmo que com uma consciência pesada diante daqueles que nos são caros, e defendem com unhas e dentes suas individualidades fortemente apoiadas em valores antigos.

Essas pessoas poderão nos julgar severamente à partir de seus medos e crenças arraigadas, e podemos sim olhar para eles com profundo respeito pelo direito de permanecerem onde e como estão.

Chamamos esse caminho de Autonomia Sistêmica. A capacidade de buscar perceber os padrões sistêmicos em que vivemos e superá-los.

Compreender como a vida se organiza e ampliar nossa autonomia possível dentro dessas estruturas que nos mantém repetindo incessantemente custos tão altos para nosso sucesso seja ele financeiro ou não.

Quanto maior nossa capacidade de perceber esses padrões, maior será nossa possibilidade de reorganizar as condições sob as quais eles continuam acontecendo.

E talvez seja justamente aí que a prosperidade deixe de ser apenas uma meta financeira. E passe a ser uma forma de viver.

Quando aprendemos a cuidar dessa organização, o dinheiro deixa de ser senhor e volta a ocupar seu lugar: um recurso importante entre muitos outros que tornam possível uma vida plena.

Um abraço,

Rosana Jotta

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