Por que liderar é tão solitário?


Por que a liderança se torna solitária mesmo com preparo e dedicação? Um olhar sistêmico sobre o centro, a sobrecarga e a organização do campo relacional.

Olá!

Existe uma frase que escuto com frequência de líderes, educadores e profissionais responsáveis por pessoas: “No final, tudo depende de mim.”

Muitas vezes ela não vem carregada de orgulho, mas de cansaço. Uma coisa é certa a liderança é o epicentro do movimento, e que movimento é esse que gera cansaço?

Você se desenvolveu. Estudou. Aprendeu a se comunicar melhor, a regular suas emoções, a tomar decisões sob pressão. E, ainda assim, algo não fecha: E então surge a pergunta silenciosa: “O que mais eu preciso fazer?”

Talvez a resposta não esteja em fazer mais. Talvez esteja em olhar para algo que raramente é considerado:

O como você está ocupando o centro desse sistema.

O problema não é o centro

Você já pensou sobre o fato de sua equipe ser um sistema, sua família ser um sistema, seu grupo de trabalho voluntário ser um sistema, e assim por diante?

A falta dessa visão sistêmica nos leva há uma tendência contemporânea de desconfiar de qualquer forma de autoridade: Centro vira controle. Controle vira opressão. E, para evitar isso, muitos líderes tentam “descentralizar tudo”.

O resultado? Nas equipes profissionais ninguém sustenta o próprio eixo, nas famílias filhos mandam nos pais, e criam as próprias regras desde pequenos.

Nas escolas, vemos diretores ilhados com seus aliados, enquanto suportam o ressentimento silencioso de outros grupos. Aqui o centro vira “grupo”, e já não é função organizadora, mas clã defensivo.

Nas equipes, vemos líderes lidando diariamente com queixas e reclamações recíprocas, ainda que veladas. Aqui a energia que deveria ir para a tarefa vai para manter distâncias, alimentar ressentimentos e testar a autoridade do centro.

Quando não há um eixo claro com reconhecimento do lugar, e da importância de cada um no conjunto da ópera : as decisões se dispersam; as responsabilidades se confundem; os conflitos aumentam ainda que sorrateiramente;

A solidão do líder não vem do fato de estar no centro para assumir a responsabilidade por todos.
Ou seja ela vem da forma como esse centro é habitado
:

Resultado: exaustão.

Quando o líder evita sustentar essa posição: hesita, se dilui, tenta “igualar” funções que são diferentes:

Resultado: insegurança e conflito.

Nenhum desses caminhos organiza um sistema vivo onde a qualidade dos resultados vai depender tanto do compromisso das partes envolvidas, quanto da qualidade da relação entre essas partes.

O centro como função

Na perspectiva da Inteligência Sistêmica, o centro não é apenas um lugar de poder. É uma função organizadora inclusive em cada uma das micro partes, micro sistemas, dentro da equipe. Como por exemplo uma dupla de trabalho, um núcleo pedagógico, um comitê específico.

Ele existe para: dar direção com limites e possibilidade, diferenciar responsabilidades e suas consequências, e sustentar o campo para que os outros possam atuar.

Quando esse centro é compartilhado com clareza: o líder não precisa carregar tudo, quando muito nem depende dele; o sistema respira e ativa o fluxo com a distribuição das responsabilidades de forma mais saudável.

Leia mais:

https://institutorosadaterra.com.br/como-liderar-sistemas-complexos-por-que-controlar-nao-resolve/: Por que liderar é tão solitário?

Conclusão

Talvez a pergunta não seja mais: “Como posso liderar melhor?”

Mas sim: “Como ocupar esse lugar neste sistema

No próximo artigo, vamos aprofundar essa distinção essencial usando como referencias teóricas: Peter Senge e Edgar Morin.

Caso este tema te toque, você reconheça essa sensação de ter que sustentar tudo sozinha(o) no centro… e deseje uma aprendizagem guiada dentro da prática te convido para nossa Mentoria em Inteligência Sistêmica.

Leia mais: Por que liderar é tão solitário?https://institutorosadaterra.com.br/mentoria-inteligencia-sistemica/: Por que liderar é tão solitário?

Um abraço,
Rosana Jotta

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