Quando e Como a Vida Prospera

As Ordens do Amor e a Inteligência Sistêmica: a diferença entre uma vida que funciona e uma outra que floresce.

Olá!

A primeira quando entrega resultados, resolve problemas, enquanto cria outros problemas quase sem parar. Sabe aquele ditado: “de boas intenções o inferno está lotado”? Por aí. Soluções do tipo apagar incêndio, que não tocam a raiz sistêmica do problema, nos entristecem imensamente, pois em geral vêm de boas intenções.

A segunda quando ainda faz tudo isso, mas gera algo que nem seu coração, nem sua mente seria capaz de produzir sozinho: uma inteligência sistêmica que emerge da qualidade das relações entre esses dois, mente e coração, gerenciados por você de forma consciente, com decisões passo a passo coerentes com os contextos de sua vida.

Essa diferença não é filosófica, é estrutural, e compreendê-la muda o que fazemos como pessoas, por nós mesmos e pelos outros, em nossas vidas pessoais e profissionais.

O que a ciência dos sistemas diz sobre essa gestão criativa

Mario Bunge, um dos filósofos da ciência mais rigorosos do século XX, dedicou parte significativa de seu trabalho a uma questão que parece simples e não é: como um sistema, e cada ser humano é um sistema complexo, pode desenvolver propriedades que nenhuma de suas partes sozinhas possui?

A perspectiva sistêmica de Bunge nos permite compreender que propriedades emergentes dependem da organização e da gestão das relações entre seus componentes.

Assim emergência, o que surge como transformação não é mistério nem metáfora. É o surgimento real de qualidades novas, qualidades que dependem não apenas da qualidade dos componentes em si, mas também, da qualidade das relações entre eles.

Uma orquestra produz algo que nenhum músico isolado produz. Uma sala de aula viva gera aprendizagem que nenhum currículo sozinho entrega. Uma família coesa atravessa crises que destruiriam seus membros se enfrentadas individualmente.

Em todos esses casos, o que emerge não estava apenas nos componentes. Estava também na estrutura, na qualidade das relações entre eles, que chamamos de harmonia.

Aqui, nosso foco no desenvolvimento dessa inteligência sistêmica viva e autoral exige o mesmo de nossos processos internos: uma gestão de nossos recursos internos que possibilite uma gestão adequada dos diferentes elementos presentes em nossos contextos externos.

A qualidade do que surge de nossas relações com os contextos em que estamos inseridos a cada momento depende fundamentalmente da qualidade de nossa organização e harmonia interna.

As Ordens do Amor como condições estruturais para essa realização pessoal alinhada com o coletivo

Bunge nos diz que a qualidade da relação entre as partes determina o que emerge. Mas isso ainda deixa uma pergunta em aberto: que tipo de relação produz floração, e não apenas função?

É aqui que entram as três Ordens do Amor, não como regra moral, mas como condição estrutural: o que precisa estar organizado para que a solução que surge seja saudável, tenha profundidade e não seja apenas eficiente por um curto tempo.

Chamamos essas três Ordens de Pertencimento, Precedência e Equilíbrio. Elas não são o que fazer. São o como qualquer relação, entre pessoas, entre mente e coração, entre você e seus contextos, precisa se organizar para gerar algo maior do que suas partes, sem adoecer no processo.

O Pertencimento garante que nenhuma parte do sistema seja excluída gerando consequências de longo prazo. Mente sem coração, ou coração sem mente, é exclusão interna, e o que é excluído, como já vimos noutros artigos, não desaparece: retorna como problema de outras formas.

A Precedência organiza o que veio primeiro e sustenta o que vem depois, sem inverter a hierarquia natural do processo: uma decisão consciente só é sustentável se respeita o que a antecedeu dentro de você, sua história, seus limites reais, sua trajetória.

O Equilíbrio mantém viva a troca entre dar e receber, entre esforço interno e resultado externo, para que a gestão de sua vida não se sustente à custa de uma dessas partes estar sempre em estado de escassez ou adoecimento.

É exatamente aqui que essas Ordens se encontram com a metacognição dinâmica, essa visão prática da consciência como aquilo que podemos gerenciar, e metacognição como a capacidade de autogestão dessa consciência., reconhecendo a complexidade da vida como ela é.

Inteligência Sistêmica como gestão das condições de florescimento

Há um engano comum, e ele mora bem no centro de tantas soluções do tipo apagar incêndio que citamos no início deste texto: tratamos o contexto, a família, o trabalho, a cultura, as circunstâncias, como uma autoridade externa e unilateral, algo que acontece sobre nós, e diante da qual só nos restam estas reações em geral automáticas.

Lutar, aguentar, suportar ou morrer, fracassar.

Essa crença nos enfraquece duplamente. Primeiro, porque nos coloca como reféns passivos de forças que não escolhemos. Segundo, porque nos absolve, sem perceber, da parte que de fato nos cabe.

A cibernética de segunda ordem, especialmente através do trabalho de Heinz von Foerster, oferece uma correção precisa a essa crença.

Von Foerster mostrou que o observador nunca está fora do sistema que observa: ele participa da construção do próprio fenômeno que julga apenas testemunhar. Isso não significa que o contexto não tenha poder real sobre nós. Tem, e é um erro subestimá-lo. Significa que também temos, sempre, um lugar de participação ativa dentro dele.

É por isso que dizemos que nunca estamos sozinhos, e essa frase corta nos dois sentidos ao mesmo tempo. Nunca estamos sozinhos sofrendo o contexto de forma passiva, como se ele fosse uma força alheia caindo sobre nós de fora.

E nunca estamos sozinhos no sentido oposto: não somos os únicos responsáveis por tudo que emerge das relações em que vivemos, como se nosso esforço individual, isolado, bastasse para determinar o resultado.

A Inteligência Sistêmica, no fim, não é uma técnica para controlar o contexto, nem uma resignação diante dele. É a gestão consciente das condições de emergência, Pertencimento, Precedência, Equilíbrio, dentro da relação real e mútua entre você e tudo aquilo que, com você, constrói o que floresce.


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Metacognição Dinâmica: o que é, e por que não é apenas “autoconhecimento”


Um abraço,

Rosana Jotta

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